Às vezes tenho um sonho estranho e persistente,
de uma mulher que eu amo e me é desconhecida.
Sempre a mesma não é, essa mulher querida,
mas também, certo, não é outra totalmente.
Ela me compreende, me ama... tão somente
a essa mulher desvendo o coração e a vida.
Mas também minha fronte, pela dor ferida,
ela só é quem sabe afagar docemente...
Ela é morena ou loura, ou ruiva? Eu o ignoro.
Seu nome? Apenas sei que é doce e sonoro
como os nomes de amantes que a vida exilou.
Parece olhar de estátua o seu olhar vazio
e tem uma voz longínqua e calma; o lento, o frio,
o triste acento de uma voz que se calou.