Eu a conheci desde menina. Ela sempre foi bonita.
Sua beleza despontou desde menina e continuou a florescer depois de adulta.
Ela era muito afável, tinha uma simpatia deliciosa que atraía todos para si.
Nós estávamos ligados pelos laços da amizade há muitos anos.
Eu frequentei a casa dela e acompanhei seu destino durante anos. Meus olhos viram ela crescer, tornar-se adolescente e depois mulher.
Perdi o contato com ela durante alguns anos, mas o destino nos aproximou novamente.
Mudamos de cidade, tanto eu como ela, mas a força poderosa do destino nos fez aportar à mesma cidade e continuamos próximos.
Antes de eu mudar para a pequena cidade onde moro atualmente ela continuou a morar na grande São Paulo, mas vinha muitas vezes à minha cidade visitar seus pais, os quais moravam na mesma rua que eu e me conhecem desde a infância.
Ela sempre me encantou. Sua beleza, seu sorriso lindo, sua simpatia deliciosa me fascinavam. Eu adorava visitá-la.
Ela casou jovem, teve filhos. O marido é tão simpático quanto ela. Tornamos amigos, eu, ela e seu marido e mantivemos contato por anos, seja por visitas, seja por meio da internet.
Eu já havia reparado nela, desde menina, uma tendência à irritação, um forte espírito de furor. Também notei uma forte tendência à leviandade e infidelidade. Ela traiu seu marido várias vezes. Ele sabia disto e a perdoava devido a que ele estava apaixonado por ela.
Ela lançava olhares furtivos para mim. Logo percebi que ela pensava que minhas visitas tinham a finalidade de cortejá-la.
O marido se queixava frequentemente por sua leviandade e por seu caráter. Ele a suportou durante mais de doze anos, até que eles se separaram.
Eu gostaria de saber por qual motivo eu senti tanto a separação deles. Acho que os filhos não sentiram tanto quanto eu. Parecia-me que um laço sagrado havia-se rompido. Meu coração chorou e sangrou.
Ela cedia ao seu demônio muitas vezes. Ela agredia e tiranizava seus filhos, embora fosse carinhosa.
Eu observava calado seu comportamento infeliz, ciente de que ela estava se endividando com a justiça de Deus e sofreria inexoravelmente as consequências disto. Ninguém serve ao mal impunemente. Todos colhem o que plantam…
Por isto, eu tentei iluminar sua alma com a luz do conhecimento. Falei-lhe sobre Deus, sobre o sagrado Evangelho de nosso mestre Jesus. Dei-lhe os luminosos livros da doutrina espírita. Ela leu os livros de Allan Kardec, Emmanuel, André Luís e outros livros psicografados por Chico Xavier.
Ela até que deu os primeiros passos em direção à luz, mas o demônio não dorme… Ela cedeu às sugestões tortas e perversas das trevas. Seu coração preferiu o caminho do mal.
Eu bem sabia quais seriam as consequências de sua decisão voluntária. Ela afundaria no lago da dor, humilhação e angústias até quando a misericórdia de Deus a libertasse. A justiça de Deus é inexorável: a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
O tempo passou…
Quando ela tinha 23 anos começou a queixar-se de fortes dores de cabeça. Ela procurou tratamento, mas não conseguiu a cura. As dores continuaram durante anos.
Ao completar 29 anos, as dores se tornaram insuportáveis. Ela procurou tratamento novamente e descobriu estar com leucemia.
A doença agravou-se rápido. Ela sofria terrivelmente. Ela chorava e gritava de dor. Muitas vezes rolava na cama gritando e chorando. Ela foi submetida a uma cirurgia na qual ficou-lhe uma cicatriz de alto a baixo, do pescoço até abaixo do umbigo.
Ela emagreceu muito. Teve que suportar o martírio dos condenados: ia e vinha várias vezes do pronto socorro e do hospital para casa, até que os médicos, cientes da inutilidade de seus esforços recomendaram que ela ficasse em casa. Foi-lhe previsto 3 meses de vida no máximo.
Parentes e amigos foram informados. Ela recebeu a visita do ex-marido e filhos, amigos e outros parentes.
Ela já não podia caminhar. Seu estado de fraqueza e emagrecimento agravaram-se. Estava magríssima. Mas, algo muito pior aconteceu…
A sombra da morte a aterrorizava. Ela passou a ter pesadelos macabros. De alegre e sempre sorridente, seu rosto assumiu um aspecto lúgubre e triste. Ela passava dias e dias calada e muito triste na cama.
Ela iria morrer aos 31 anos! Sozinha em seu quarto ela olhava a janela aberta e via os raios de sol penetrando no quarto. Os raios de nosso astro rei espalhavam-se por todo o quarto irradiando sua luz amarela por tudo. Inopinadamente ela lembrou de seus filhos, os quais sofreram com sua dureza e displicência; lembrou de seu ex-marido e o quanto o magoara. Lágrimas abundantes desciam de seus olhos cansados e tristes. Ah! Por que ela fez isto? As farpas agudas do arrependimento, sob a pressão da dor e da morte, penetraram a fundo em seu coração. Ela chorou, chorou e chorou…
Alguns dias depois, amigos e parentes assistiam seu funeral em um belo dia ensolarado.
Lá ficou seu corpo, mas sua alma, seu verdadeiro eu, estava a alguns passos dali. Próximo a ela estavam várias entidades perversas com aspectos ferozes. Essas almas aguardavam o desprendimento total dos liames que a prendiam ao corpo. Ela ficou apavorada. Lembrou dos livros espíritas que leu. Recordou as descrições aterrorizantes que leu sobre o que faziam os espíritos das trevas com pessoas amigas do mal. Seu coração agonizou com as cenas horrorosas que leu. Aterrorizada, ela via os liames se desprenderem de seu corpo lentamente. Foi aí que ela recordou de nossas conversas. Ela lembrou que existia um Deus Misericordioso. E se ela fizesse uma prece? Deus atenderia uma pessoa como ela? Os liames se soltavam… As entidades sorriam perversamente… “Meu Deus tem pena de mim,” pronunciaram seus lábios. Imediatamente desceu do alto uma luz brilhante diáfana, a qual jorrou por volta de si, fazendo uma barreira entre ela e os verdugos que a cercavam. Ela sentiu-se livre e sua alma subia, subia,subia...