Tive uma desinteligência com uma pessoa muito afeiçoada a mim.
A internet foi o meio utilizado pela vida para nos aproximar.
Passei deliciosas horas conversando com ela via skype e trocamos muitos e-mails.
Apesar dela ser educada e bondosa, notei há muito tempo uma forte tendência a ser niquenta. Não relevei isto, afinal, ninguém é perfeito.
Há muito que notei também uma falta de bom gosto, um amor à banalidade e uma propensão às coisas baixas para mim, mas não baixas para ela.
Esforcei-me para elevar seu pensamento para as regiões elevadas da alma. Indiquei-lhe livros de ordem elevada, autores clássicos, obras primas universais, na intenção de elevar sua alma. Ela até que foi dócil a isto, mas minha intenção bateu de frente à ignorância dela.
Sua alma, embora já tenha dado o passo em direção à luz, ainda está vinculada fortemente às trevas da ignorância. Eu já havia notado isto desde nossas primeiras conversas. Não relevei isto e continuei com nossa amizade.
Notei que ela não tem entendimento, inteligência e cultura suficiente para compreender as sutilezas psicológicas das manobras executadas por forças inferiores demoníacas em sua alma.
Como toda a humanidade, ela vive alienada em seu ilusório, baixo e perverso mundo. Não consegue enxergar coisa alguma fora desta falsa realidade, baixa e vulgar. O que supera esta infeliz percepção fica no inconcebível.
Assim é a baixa e perversa alma humana. Não compreende coisa alguma da luz, ou compreende pouco, não quer compreender e ainda quer atrair quem já vive em um patamar superior do pensamento para seu baixo e rasteiro patamar.
Nota-se a baixeza humana quando se analisa as relações entre almas que optaram pela elevação e aquelas que continuam a trilhar as estradas perversas e ignorantes do mundo.
É comum aos ignorantes criticarem maldosamente aqueles que abandonaram a veste rota da ignorância e do mal. É uma estratégia inconsciente do demônio. O demônio não quer morrer. Ele resiste com unhas e dentes até o ultimo suspiro.
Foi o que notei com esta desinteligência entre eu e minha amiga. “Arrogante,” foi o termo utilizado por ela para justificar seu amor à ignorância e às coisas baixas. Sua falta de esforço e perseverança à luz e às coisas elevadas.
Ela não percebe, mas eu sim. Percebo as matreiras astúcias do mal a influenciar seu pensamento e mantê-la aprisionada nas trevas para sempre.
Eu não cedo uma nesga sequer às forças do mal. Luto diuturnamente. É uma luta sem tréguas. Isto exige uma vigilância constante.
Vivo em constante conflito com o mundo por não ceder à suas sugestões perversas, falsas e egoístas, filhas do diabo.
Lembrei há alguns dias, quando desloquei-me de minha cidade e tive que viajar 250 Kms. em direção a São Paulo. Fiquei dois dias na casa de uma parente. Na casa desta parente moram duas jovens. Uma delas, com dezoito anos, lançou-me muitos olhares maliciosos e demonstrou um forte interesse sexual por mim.
Eu dormi na sala. À noite eu acordei com seus passos ao meu lado, mais de uma vez. Ela inventou pretextos para ir até a sala onde eu dormia com a patente intenção de uma aventura sexual.
Na viagem de volta, conversando no carro com a pessoa que viajou junto comigo, esta pessoa me informou que a referida moça da aventura disse que eu sou muito “Chato.”
Ela até que me agradou, mas sou extremamente exigente à questão de higiene. Vi todos tomarem banho, mas não vi a moça da aventura. Também achei a atitude dela muito descarada e vulgar. Dava para perceber que tipo de pessoa ela era. Em conversa com minha parente fiquei conhecendo seu passado e suas leviandades.
Esta atitude de rejeitar a correção, não querer mudar, continuar tenazmente no caminho do mal e ainda arrastar a quem já libertou-se das garras do mal é um indício de baixeza e perversidade muito comum neste inferno em que vivemos.
O que os ignorantes e perversos não sabem e eu sei muito bem, é que acima de tudo está a lei de Deus e sua justiça inexorável. É uma gigantesca espada poderosa a vigiar severamente nossos passos, pronta a desabar sobre nossa cabeça a todo o momento, lançando em nosso destino uma enxurrada de dores e tormentos.
A desgraça dos perversos e ignorantes é justamente sua cegueira estúpida, sua teimosia maldosa, vítimas que são de sua ignorância voluntária.
Longe estou eu da perfeição. Eu lutei muito por meu pequeno quinhão de luz. Este quinhão custou-me muitas lágrimas e dores.
Devo a Deus meu pequeno quinhão de luz. Sem Sua bondade infinita a proteger-me e guiar neste inferno maldito jamais eu seria agraciado com a luz divina.
Por isto, afastei-me de minha amiga. Os sensores de minha alma alertaram-me que eu estava sendo sugado no redemoinho da ignorância e das trevas. Ela não fazia isto por maldade, era antes vítima de sua ignorância, sua inteligência muito limitada e sua ingenuidade intelectual.