Abençoadas são elas, ainda que
falem demais e irritem nossa paciência.
Abençoadas são elas, ainda que
mexeriquem e fofoquem.
Abençoadas são elas ainda que
ignorantes e maltratadas.
Abençoadas são elas ainda que
o mal viceje em seus corações.
Abençoadas são elas ainda que
deturpadas no lodo da depravação.
Elas falam demais, mas suas
palavras acalentam e encantam.
Elas fofocam e mexericam,
mas preocupam-se com outrem.
Se a ignorância as degradam,
elas assim mesmo sacrificam-se por outros.
Se o mal viceja em suas almas,
ainda assim são mais propensas ao bem.
Se enlameadas no lodaçal da depravação,
assim mesmo são mais inclinadas à melhora.
Pobre homem que não compartilha
estas bênçãos e persevera no mal infausto.
Pobre homem sempre a
prevaricar e do orgulho escravo pertinaz.
O que dirá o homem no dia de
seu juízo?
Elas perderam-se, mas sempre
guardam um pouco
de virtude na alma.
No dia de seu juízo elas
trocarão este bocado de virtude por bênçãos divinas.
E o homem o que oferecerá no
seu dia de juízo?
Sua alma fria, seu coração insensível?
Seu egoísmo inconsequente?
Sua iniquidade prepotente?
O que oferecerá este tolo
orgulhoso em troca de bênçãos divinas que possam amenizar suas dolorosas penas
no dia fatal de seu juízo?
Ah! tolice mortal! Ah! obstinação nefasta!
Nenhum cantinho em seu coração
guardou ele para a virtude
redentora.
Não tem ele o que trocar por bênçãos
misericordiosas.
Não resta senão chorar sua mágoa
culposa e sorver seu cálice amargo de dores até a última gota.
Portanto, façamos como elas e
sejamos abençoados nós também naquele dia, façamos como elas humanas, fracas, mas
não se distanciam demasiado do bem.
Guardemos em nossos corações
um cantinho para a virtude...