Blog

"O homem deve ser amigo da mulher. E no seu amor, deve respeitar sua alma e seu corpo como sagrados que são."
Ghandi.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Texto do livro "Vida e sexo." Autor: Emmanuel. Psicografia: Chico Xavier.


UNIÃO INFELIZ

Qual o fim objetivado com a reencarnação?
R. Expiação,  melhoramento  progressivo  da  Humanidade.  Sem isto, onde a justiça?
 O LIVRO DOS ESPÍRITOS –
 Questão 167

Dolorosa, sem dúvida, a união considerada menos feliz. E, claro, que não  existe  obrigatoriedade  para  que  alguém suporte  a  contragosto,  a  truculência  ou  o  peso de alguém, ponderando-­se que todo espírito é livre no pensamento para definir­-se quanto às próprias resoluções. Que haja, porém, equilíbrio suficiente nos casais  unidos pelo compromisso afetivo, para que não percam a oportunidade de construir  a verdadeira libertação.
Indiscutivelmente, os débitos que abraçamos são anotados na Contabilidade  da Vida; todavia, antes que a vida os registre por fora, grava em nós mesmos, em
toda  a  extensão,  o  montante  e  os  característicos  de  nossas  faltas.  A  pedra  que  atiramos no próximo talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece  conosco na figura de sofrimento. E, enquanto não se remove a causa da angústia, os  efeitos  dela  perduram  sempre,  tanto  quanto  não  se  extingue  a  moléstia,  em  definitivo,  se  não  a  eliminamos  na  origem  do  mal.  Nas  ligações  terrenas,  encontramos  as  grandes  alegrias;  no  entanto,  é  também  dentro  delas  que  somos  habitualmente  defrontados  pelas  mais  duras  provações.  Isso  porque,  embora  não  percebamos  de  imediato,  recebemos,  quase  sempre,  no  companheiro  ou  na  companheira da vida íntima, os reflexos de nós próprios.  É natural que todas as conjunções afetivas no mundo se nos figurem como  sendo  encantados  jardins,  enaltecidos  de  beleza  e  perfume,  lembrando  livros  de  educação,  cujo  prefácio  nos  enleva  com  a  exaltação  dos  objetivos  por  atingir.  A  existência física, entretanto, é processo específico de evolução, nas áreas do tempo,  e  assim  como  o  aluno  nenhuma  vantagem  obterá  da  escola  se  não  passa  dos  ornamentos  exteriores  do  educandário  em  que se  matricula,  o  espírito  encarnado  nenhum proveito recolheria do casamento, caso pretendesse imobilizar-­se no êxtase  do noivado. Os princípios cármicos desenovelam-­se com as horas. Provas, tentações,  crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata, na ordem em que  se  nos  recapitulam  oportunidades  e  experiências,  qual  ocorre  à  semente  que,  devidamente  plantada,  oferece  o  fruto  em  tempo  certo.  O  matrimônio  pode  ser  precedido de doçura e esperança, mas isso não impede que os dias subsequentes, em  sua marcha incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações que  deixaram para trás. A mudança espera todas as criaturas nos caminhos do Universo
a fim de que a renovação nos aprimore.
 A jovem suave que hoje nos fascina, para a
ligação afetiva, em muitos casos será talvez amanhã a mulher transformada, capaz  de impor-­nos dificuldades enormes para a consecução da felicidade; no entanto, essa  mesma jovem suave foi, no passado – em existências já transcorridas –, a vítima de  nós  mesmos,  quando  lhe  infligimos  os  golpes  de  nossa  própria  deslealdade  ou
inconsequência,  convertendo ­a  na  mulher  temperamental  ou  infiel  que  nos  cabe  agora relevar  e retificar.  O rapaz  distinto  que  atrai  presentemente  a  companheira,  para os laços da comunhão mais profunda, bastas vezes será provavelmente depois o  homem cruel e desorientado, suscetível de constrangê-la­ a carregar todo um calvário  de aflições, incompatíveis com os anseios de ventura que lhe palpitam na alma. Esse  mesmo rapaz distinto, porém, foi no pretérito – em existências que já se foram – a  vítima  dela  própria,  quando,  desregrada  ou  caprichosa,  lhe  desfigurou  o  caráter,  metamorfoseando ­o  no  homem  vicioso  ou  fingido  que  lhe  compete  tolerar  e
reeducar. Toda vez que amamos alguém e nos entregamos a esse alguém, no ajuste  sexual, ansiando por não nos desligarmos desse alguém, para  somente depois  surpreender nesse alguém defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à frente  de criatura anteriormente dilapidada por nós.Somos feridos justamente nos pontos em  que a prejudicamos, no passado, não só a cobrar-nos o pagamento de contas certas,  mas, sobretudo, a esmolar-­nos compreensão e assistência, tolerância e misericórdia,  para  que se  refaça  ante  as  leis  do  destino.  A  união suposta  infeliz  deixa  de ser,  portanto, um cárcere de lágrimas para ser um educandário bendito, onde o espírito  equilibrado e afetuoso, longe de abraçar a deserção, aceita, sempre que possível, o  companheiro ou a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitar-­se  com os princípios de causa e efeito, liberando-­se das sombras de ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os domínios da luz.